(Strange Fruit Records)

Dos lugares mais inesperados podem surgir as maiores surpresas.
The Cure – peel sessions foi uma delas. achei numa loja que vende heavy metal e cds importados carísimos. achei esta gema por 16 reais, na época que cds custavam 20-25 reais (isso tem uns anos…). É verdade que o CD só tem 4 faixas, ao contrario de outras bbc sessions mais generosas como a de jmmy hendrix (2 cds cheios!) ou a do The Who (um CD lotado). mas o CD mostra o comecinho do Cure, contando inclusive com uma versão lentinha de Boys dont cry.

Como toda bbc session, o som tem uma mixagem mais crua, mas que não deixa de ter suas sutilezas, como eventuais erros ou ruidos (especialmente da bateria).

as faixas:
- Killing an Arab: muito mais crua que a versão encontrada no album boys dont cry por exemplo, mas se percebe que é só o grupo. sem ambientações ou outros instrumentos.Isso é legal pra perceber a raiz de um grupo que ja mudou de formação trocentas vezes.

- 10:15 Saturday Night: ponto alto do disco. não tenho certeza,mas creio que esta foi a primeira musica composta pelo trio. esta rendição é sincera e emocional.O som estava muito bom pelo visto, pois é possivel ouvir rob suspirar.

-Fire in Cairo: por mais estranho que o refrão possa parecer, essa musiquinha é até gostosinha, mas não tem o brilho das outras, a versão de album empolga mais.

-Boys Dont Cry: surpresa da noite! uma versão de boys dont cry meio lentinha! Será que ela foi composta dessa forma ou foi um experimento? Não chega a ser uma baladinha,mas certamente ela esta mais lenta que a versão conhecida por todos.É verdade que esta versão vale mais pela curiosidade do que por sua beleza, mas pra quem é fã, sugiro ouvir.

por se tratar de um disco do começo do Cure, logo se nota elementos curiosos, como a foto do grupo na capa do disco, em que o vocal robert smith não ostenta aquele cabelo bizarro, e letras ainda com temáticas mais simples das que fizeram a fama da banda.

Nesta coluna fiz uma experiência:
Escrevi a coluna no Pocket Word do meu Cassiopeia A-11 velhinho de guerra. Windows CE (ou Windows Mobile) 1.0, mas que continua sendo ótimo, apesar que os teclados dos primeiros HandheldPCs tem teclas meio pequenas.

Enquanto digitava ,ouvia as musicas no Nokia 770 Internet Tablet, ,que é um excelente handheld rodando Debian GNU/Linux para ARM e Gnome como desktop (embora ele use um desktop personalizado). Para ouvir, ripei o CD para se cartão de memória RS-MMC que acompanha o aparelho.

Estou escrevendo do meu edredon , na minha cama. Ta um frio da porra e eu to sem saco de ficar no PC.. alem de ouvir The Cure, estou ouvindo tambem um EP do Mission of Burma (que eu ainda quero comentar depois).
agora deixa eu ir transferir o texto pelo cabo serial.
até a proxima!

PS: pois é. como o teclado do Cassiopeia é em inglês, tive que voltar ao editor de textos no meu desktop e acentuar. faz parte.

Até ontem,o que eu mais gostava nas radios de internet era o fato que eu podia escolher o que ouvir. mas isso limitava meu gosto a ocasionalmente experimentar. E nesse aspecto eu torrava a paciência dos meus amigos pedindo sugestões.

Agora vou parar encher o saco de vocês! achei algo perfeito!

Last FM. uma rádio pela internet que também é comunidade online, e por isso eu posso ir conhecendo coisas diferentes conforme ele relaciona artistas. Sem falar que ele diz o que estou ouvindo (quando estou no Debian, sinto falta do “O que estou ouvindo”). Agora terei isso, ja que existe um plugin pra Quo Libet , para que eu possa alimentar meus stats.

O fato de tudo ser GPL só melhora as coisas.Ter que usar windows é muito frustrante! O unico porém é que o player próprio pra linux é linkado estáticamente com a QT4, que eu nunca fui com a cara (bem como KDE- sou muito mais GTK e Gnome).

Pois é, ai fica a recomendação: www.last.fm

new playing: Walking on thin ice – Yoko Ono (John Ono Lennon original mix – que parece meio seco depois do mix de Felix Da Housecat , mas é muito sensual – ele podia né…)

esse mix foi terminado cerca de 2 horas antes do assasinato do John.

pensamentos aleatórios: apagar meu profile do yogurt? aprender a tocar violão? (ja era hora né?)

Le Tigre – Le Tigre

21 Maio, 2006

" Um prato de trigo
para três tigres tristes
Dois pratos de trigo
para três tigres tristes
Três pratos de trigo
para três tigres tristes"

Le Tigre é aquele grupo que quando se ouve da primeira vez, ou você ama ou odeia. Seja porque você amou a energia que rola, seja pelas vozes, ou pela temática. Ou então você odeia porque odeia punk ou porque é coisa de emo (pensamento errôneo). E foi assim, contagiado por deceptacon, a primeira música que ouvi (e que ouço nesse instante) que segui ouvindo e adorando o resto.

Quem é Le Tigre? Trata-se de um grupo nova iorquino surgido no fim dos anos 90, inicialmente por três mulheres (uma delas saiu e foi substituida por um homem). A temática das letras é claramente feminista e em alguns momentos em defesa dos direitos do "publico feminino que se curte". Independente disso, fica claro que elas beberam na fonte de muita gente boa, como Yoko Ono, B-52 e Joan Jet. Embora não fique muito claro, eu ouço algo de Belle ans Sebastian no som deles.

O som? Energético não é o unico adjetivo. Há uma certa candura no som, seja na voz delas, que embora tenha seus momentos de agressividade (não é punk?) , tem seus momentos de graça. algo como "hasta que endurecer, pero sin perder la ternura" (algo que a ultima vez que vi foi no "only everything" da Juliana Hatfield). baixo e guitarras bem colocadas, bateria regular, vez ou outra algum som sampleado para ambientação (gosto disso) e algum som eletrônico.

Letras? Pode até parecer um tanto marketing ,mas de certa forma, parece que elas sabem do que estão falando. Feminismo é isso também: mostrar que punk bom também é punk feminino – e isso elas mostraram muito bem.

Faixas a faixa:

1- Deceptacon – essa é a melhor de todas! o clipe é o máximo!

2 – Hot Topic – um momento de doçura melodiosa

4 – The The Empty – retomando a agitação. curta, mas boa

5 – Phanta – muito legal o efeito da guitarra. "Explosiva"! =-P

6 – Eau D´Bedroom Dancing – Batida dançante! =-P baixo que lembra alguns relances de Simon Gallup , do Cure.

8 – My My Metrocard – o loop de synth me lembrou um pouco – não sei bem porque , talvez por resgatar algo da estética dos 60´- Belle and Sebastian. Muito boa!

9 – Friendship Station – batida simples, mas boa fusão sonora com piano, guitarra , bateria seca e vozes em várias dimensões

10 – Slideshow At Free University – melodia que gruda na cabeça, samples sonoros curiosos. Algo como um escárnio com a frieza com que se ensina arte (chute meu). Praticamente um instrumental

12 – Les and Ray – novamente uma fusão legal com synths vocal harmonioso. Não poderia lembrar mais de determinadas faixas da Juliana Hatfield.

em geral , um disco muito bom (como todo disco de estréia ;-] ), com faixas que não duram mais que 3:30 minutos. Nem da pra acreditar que saiu em 1999 (parece tão atual!) e porque só esta chegando aqui agora?

Como todos sabem, aqui em Omikron, o tempo é eterno, e por isso , qualquer coisa sempre é nova.

Veredito?

Vale a compra. Pena que todo mundo ache que é coisa de Emo.
Em tempo: acabei voltando a ouvir Stooges e MC5 por causa delas.

Beck é aquele cara impressionante. Dança pra caramba, tem uma grande criatividade e sabe cavar sonoridades inexperadas.

Muito ja foi dito sobre seu primeiro disco (primeiro amplamente comercializado), Mellow Gold, mas nada disso foi dito por mim, então é minha vez:

Se posso descrever primeiro por linhas gerais e depois especificar, posso dizer que é um disco que alterna entre melancólicas baladas , bem a moda do tenessee , e pops de extremo bom gosto. Em ambos os casos, o disco é recheado de letras irônicas e inteligentes.

meus destaques vão pras faixas de 1 a 10, especialmente para as faixas 1,3,5, 6 (e essa é a minha favorita!) ,8 (uma das melhores no quesito pop) e 10 (musicalmente sem graça, mas com uma das melhores letras do disco).

Vale também notar a faixa 11, que parece mais saída de um disco do Rob Zombie.

Mellow Gold foi lançado em 94-95, pela Geffen Records , após muito batalhar pelo artista. E mesmo assim, não conseguiu segura-lo, ja que ao mesmo tempo ele lançou outro disco, o Stereopathic Soul Manure, do qual não sou grande fã, por outra gravadora.

Apesar de ser dessa época, não percebo temporalidade no disco, que permanece tão novo quanto Guero, que foi lançado ano passado (2005). Depois falo mais sobre Guero.

Apenas pra comentar um mito: Diz-se que Mellow Gold ja estava pronto quando Beck assinou com David Geffen (o dono da gravadora teve que pessoalmente procurar ele!) e que Beck pagou pelos custos trabalhando na seção de pornografía de uma locadora. Segundo dizem, o disco custou 300 dolares pra ficar pronto. Imagina a margem de lucro?!